Marketing chega ao conselho transformando estratégia em receita
O reposicionamento do marketing como eixo central de crescimento, conectando marca, demanda e receita na mesa de decisão.
O reposicionamento do marketing como eixo central de crescimento, conectando marca, demanda e receita na mesa de decisão.

O marketing está reassumindo um papel central na estratégia empresarial. Em um contexto de crescimento orientado por dados, integração operacional e complexidade de mercado, a área passa a atuar como elo entre marca, demanda e receita. Este artigo argumenta que empresas que elevam o marketing ao nível do conselho tomam decisões mais consistentes, aumentam previsibilidade de receita e constroem vantagens competitivas mais sustentáveis.
Durante décadas, o marketing foi percebido como uma função essencial, porém periférica à tomada de decisão estratégica. Sua atuação esteve majoritariamente associada à comunicação, branding e suporte comercial.
Esse modelo começou a se tornar obsoleto à medida que o crescimento deixou de ser impulsionado apenas por expansão de mercado e passou a depender de eficiência, previsibilidade e inteligência analítica.
Estudos recentes da McKinsey & Company indicam que empresas que integram capacidades de marketing e vendas com analytics avançado podem capturar ganhos de receita de 5% a 15% e aumentar a eficiência de marketing em até 30%. Ainda assim, muitas organizações continuam operando com estruturas fragmentadas, nas quais marketing, vendas e experiência do cliente atuam de forma desconectada.
Ao mesmo tempo, pesquisas da Gartner mostram que o tempo médio de permanência de CMOs tem sido historicamente inferior ao de outros executivos do C-level — um sinal claro de desalinhamento entre expectativa estratégica e execução.
Esse paradoxo — alta relevância potencial e baixa influência estrutural — começa agora a ser revertido.
A transformação do marketing em um agente estratégico não ocorre apenas por reposicionamento interno, mas por necessidade estrutural.
Hoje, nenhuma outra área reúne, de forma tão abrangente, três dimensões críticas para o crescimento:
Essa convergência tem impulsionado o conceito de marketing-led growth — um modelo no qual o marketing deixa de operar como função isolada e passa a coordenar o sistema de crescimento da empresa.
De acordo com a MIT Sloan Management Review, organizações que utilizam dados de forma integrada para orientar decisões estratégicas apresentam maior resiliência e capacidade de adaptação em cenários voláteis. Nesse contexto, o marketing emerge como a área mais bem posicionada para conectar dados externos (mercado e cliente) com dados internos (performance e receita).
Um dos sinais mais claros dessa evolução é a ascensão de estruturas de Revenue Operations (RevOps).
RevOps consolida marketing, pré-vendas e vendas sob uma única governança de dados, processos e métricas. Mais do que uma reorganização funcional, trata-se de uma mudança de paradigma: crescimento deixa de ser uma responsabilidade fragmentada e passa a ser gerido como um sistema integrado.
Segundo a Boston Consulting Group, empresas que adotam modelos integrados de revenue management conseguem aumentar a produtividade comercial e reduzir desperdícios operacionais, especialmente em ambientes B2B complexos.
Essa integração permite responder a perguntas estratégicas fundamentais:
Sem essa visão sistêmica, decisões continuam sendo tomadas com base em silos — o que compromete eficiência e previsibilidade.
A evolução do marketing também está diretamente ligada à maturidade no uso de dados e tecnologia.
Se antes a área era predominantemente associada à criatividade, hoje ela se posiciona como uma disciplina analítica. Plataformas de automação, modelos preditivos e inteligência artificial ampliaram significativamente a capacidade de mensuração e otimização.
Relatórios da Deloitte apontam que organizações data-driven têm até 23 vezes mais probabilidade de adquirir clientes e seis vezes mais probabilidade de retê-los. No entanto, o diferencial competitivo não está apenas no acesso aos dados, mas na capacidade de transformá-los em decisões estratégicas consistentes.
É nesse ponto que o marketing assume um papel crítico: interpretar sinais do mercado, traduzir comportamento do cliente e orientar o negócio em direção a oportunidades concretas.
Um dos debates mais recorrentes na última década foi a suposta dicotomia entre branding e performance.
De um lado, a construção de marca no longo prazo; de outro, a pressão por resultados imediatos.
Pesquisas do Institute of Practitioners in Advertising (IPA) demonstram que empresas que equilibram investimentos entre construção de marca e ativação de vendas tendem a alcançar maior crescimento sustentável. O problema não está na coexistência dessas dimensões, mas na incapacidade de integrá-las.
Quando o marketing opera com visão sistêmica, marca e performance deixam de competir e passam a se reforçar mutuamente — criando um ciclo virtuoso de crescimento.
Levar o marketing ao conselho não é apenas uma mudança simbólica. Trata-se de uma reconfiguração da lógica de decisão.
Quando o marketing participa ativamente da governança estratégica:
Empresas que operam com essa integração tendem a apresentar maior consistência em suas trajetórias de crescimento — especialmente em mercados complexos e altamente competitivos.
O reposicionamento do marketing não deve ser interpretado como uma valorização pontual da área, mas como uma resposta às novas exigências do crescimento empresarial.
Em um ambiente onde dados, tecnologia e experiência do cliente são centrais, torna-se necessário um eixo capaz de conectar essas dimensões de forma coerente.
O marketing está, cada vez mais, preparado para assumir esse papel.
A questão, portanto, não é se o marketing deve ocupar um lugar no conselho.
A questão é: as empresas estão estruturadas para crescer com a complexidade que esse novo modelo exige?
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